Tráfico Humano: um crime sem fronteiras

Por Letícia de Medeiros e Sarah Esmeraldo

 

Laura*, estudante do segundo semestre de Moda, mesmo não fazendo parte do perfil das vítimas de tráfico, com apenas 20 anos passa a integrar o índice dos 56% de pessoas traficadas para fins sexuais no Brasil, conforme dados de 2012 da Base Colaborativa de Dados sobre Tráfico de Pessoas (CTDC, na sigla em inglês) fundada pela Organização internacional para as migração (OIM, na sigla em inglês) e pela Polaris.

 

                                                     Era uma manhã chuvosa, Laura estava aproveitando                                                       o feriado do dia do Estudante para descansar, até                                                           receber uma notificação curiosa em seu Instagram.                                                         Marcos, dono da agência MK Model de Fortaleza,                                                         que mantinha clientes no Brasil e no exterior,                                                                   gostou bastante do perfil de Laura, e perguntou se                                                         ela estava interessada em ser modelo. A jovem já                                                            havia sido chamada para ser modelo fotográfica de algumas marcas locais, mas nada que a despertasse o desejo de levar para frente essa carreira.

 

Entretanto, Laura passava por problemas após a demissão de seu pai de uma falida companhia aérea. Além de ajudar emocionalmente o pai, que estava depressivo, precisava de um emprego para conseguir pagar a faculdade de Moda em uma renomada universidade particular. Ao analisar sua atual situação, diante das tentativas falhas de conseguir um trabalho, a proposta de Marcos não pareceu má ideia, assim aceitou.

 

Marcos explicou que estava em Milão acompanhando suas modelos para o desfile de uma loja local, oferecendo a passagem e a estadia da estudante para lá e assim poderiam iniciar o projeto. Laura aceitou sem pensar duas vezes. Afinal, seria uma modelo famosa, teria condições de sustentar seus pais - e ainda viveria no mundo criativo e promissor da Moda. Uma semana após o convite, se despediu de casa sendo motivo de orgulho para a família.

 

Após horas de viagem, um motorista de táxi a recebeu para levá-la ao endereço indicado. Abrindo a porta, se surpreendeu com a cena que via: quatro mulheres dividindo os afazeres da casa, enquanto Marcos sentado no sofá, lia uma revista, enquanto a pedicure cortava suas unhas. Ele a recebeu com um sorriso forçado, pegou seu celular e lhe deu a ordem de ir ao mercado comprar um maço de cigarros. Laura não entendeu de imediato o motivo de ele estar dando ordens a ela que não fossem voltadas à moda, mas não hesitou e cumpriu.

 

Em um quarto pequeno, em cima de colchões

rentes ao chão, e sem lençóis, mulheres

conversavam sobre a situação alertando

Laura daquilo que estava acontecendo.

Amedrontada após a conversa, não sabia

como iria contar para seus pais que era mais

uma vítima do tráfico de pessoas.

 

*Personagem fictício, criado de acordo com a apuração dos fatos sobre vítimas de tráfico de pessoas.

“No Brasil, já haviam denúncias de organizações de sociedades internacionais que estavam acentuadas, aumentavam cada vez mais os índices de pessoas traficadas, principalmente para a exploração sexual."

Nilce Cunha

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